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Exposição solar, câncer de pele e envelhecimento cutâneo

Quando o assunto é este, apesar de toda a informação disponível, ainda existem informações dúbias, conflitantes e especulativas, que acabam confundindo as pessoas. Vamos procurar abordar estes temas que ainda provocam algumas dúvidas.

É bastante comum as pessoas serem informadas no sentido de que devem evitar se expor ao sol no horário compreendido entre as 10 e as 16 horas. Isto se deve à maior concentração neste horário, dos raios ultravioleta do tipo B (UVB), que são os de maior risco, afinal, estão diretamente envolvidos no surgimento da grande maioria dos casos mais comuns de câncer de pele. Diante disto, as pessoas acabaram imaginando que a exposição solar antes das 10 horas e após as 16 horas seria “fraquinha” e que não lhes faria mal algum, proporcionando uma espécie de exposição “sem riscos”.

A verdade não é bem esta, nestes horários existe mais raios ultravioleta do tipo A (UVA), que são muito menos prejudiciais que o UVB para o surgimento da maior parte dos casos câncer de pele mais comuns, mas, não são de risco zero e ainda podem estar envolvidos no surgimento de alguns casos de câncer menos comuns como o melanoma, o mais grave de todos os tipos de câncer de pele. Mais do que isto, são os raios que penetram mais fundo na pele, geram mais manchas, rugas e o que chamamos como um todo de foto envelhecimento, ou envelhecimento da pele causado pela exposição aos raios ultravioleta presentes no sol.

Aquelas manchas chamadas popularmente de “senis”, que aparecem com o passar dos anos nas áreas expostas ao sol durante a vida toda, especialmente no rosto, colo, na face externa dos braços e ombros, não tem NADA a ver com a idade, prova disto é que a face interna dos braços destas mesmas pessoas, especialmente na região próxima às axilas, as nádegas e as mamas das mulheres, nunca tem as tais “manchas senis”, mesmo que tenham mais de 80 anos de idade, simplesmente porque estas áreas nunca receberam sol.

Grande parte delas é gerada pela exposição ao UVA, este tipo de radiação que está presente antes das 10 da manhã e depois das 16 horas. A enorme maioria das pessoas fica surpresa ao saber disto, simplesmente porque nunca foram informadas.
Assim sendo, se é verdade que deve-se evitar o sol entre 10 e 16 horas pelo risco de desenvolver câncer de pele, é preciso saber que também é verdade, que não se pode exagerar antes das 10 e após as 16 horas , porque este horário tem mais radiação UVA, que mancha e envelhece precocemente a pele. Portanto, não existe “sol fraquinho ou horário sem risco” e as exposições devem ser sempre por períodos curtos, como veremos mais detalhadamente a seguir.

Outro fator importante, não existe nenhum horário que só tenha exclusivamente o tipo UVA ou o tipo UVB. Quando abordamos o tema, estamos falando em maior presença de um ou outro nos horários citados acima, mas, nunca em ausência de um ou outro em nenhum horário. Assim sendo, sempre se recebe os dois tipos, em maior ou menor quantidade, durante o dia todo. Exposição prolongada ao longo da vida, especialmente nas peles mais claras, sempre trará prejuízos, seja com câncer de pele e/ou com o envelhecimento precoce.
Outra dúvida frequente é sobre a exposição solar necessária para a síntese da vitamina D pelo organismo e a osteoporose. A pessoa acaba se perguntando, mas, com todas estas restrições, como vou fazer para me expor o tempo necessário para não sofrer de carência de vitamina D e suas consequências?

Existem algumas variações nas pesquisas médicas sobre o assunto, mas, podemos trazer algumas orientações que poderão ajudar a elucidar esta dúvida.

Alguns fatores acabam influenciando na produção da vitamina D pelo organismo, como a cor da pele, horário de exposição ao sol e a posição da cidade onde se encontra a pessoa com relação à linha do equador, já que quanto mais próxima desta linha, maior a exposição e a radição que a pessoa se submeterá.

Apesar destas variantes, considera-se razoável uma exposição média de 20 a 30 minutos diários, com raios ultravioleta incidindo apenas em parte dos braços, pernas, face e tronco, já que boa parte das pessoas estará com roupas usuais de trabalho durante a semana. Trata-se de uma exposição média, já que alguns dias serão chuvosos, em outros as pessoas quase não se exporão e em outros acabam se expondo um pouco mais ou com mais partes do corpo descobertas. Portanto, não é preciso ficar medindo os minutos de forma muita precisa, basta usar o bom senso. No caso de pessoas que não conseguem manter esta média diária ao longo do ano, pelos mais diversos motivos, talvez seja necessária a complementação por meio de suplementos vitamínicos, aos quais devem ser usados somente com orientação médica e após os devidos exames para checar os níveis de vitamina D no organismo.

Esta exposição deve ser feita preferencialmente entre as 10 e as 16 horas, porque os raios UVB, são mais efetivos para a síntese da vitamina D. Mas como assim, não são os mais perigosos, com risco maior de gerar o câncer de pele? Sim, mas, por isto as exposições médias devem ser curtas, como indicado e sem fotoprotetor solar, caso contrário a síntese pode ser prejudicada. Pessoas com peles muito claras e sensíveis podem ter que fracionar esta exposição em períodos de 10 minutos. Tudo pode parecer muito complicado à primeira vista e a pessoa pode imaginar como vai fazer toda esta programação num dia normal de trabalho, com uma série de restrições que acabam surgindo pelos afazeres.

Mas, é importante ressaltar que estamos tratando sempre de uma média diária e não de uma obrigação diária, portanto, isto pode ser compensado em outras exposições distribuídas em outros dias, ao longo do ano todo. O mundo e os seres humanos sobreviveram milênios assim, e vão continuar sobrevivendo e sintetizando vitamina D. Lembrando que sempre se pode recorrer aos suplementos nos casos específicos já citados acima.

Outro assunto que pode gerar dúvidas é o número do protetor solar, também conhecido como “fator de proteção solar” (FPS), que está escrito na embalagem do produto. Alguns médicos preferem sempre prescrever somente fatores altos, mas, a maioria reserva isto para casos específicos e recomenda algo próximo ao FPS 30 no dia a dia.

Uma polêmica recente que se acentuou nos últimos anos e acabou sendo disseminada, é que todo fator acima de 30 “não serve para nada”. Não é assim. O assunto é muito técnico para ser exposto profundamente, mas, o que gera esta confusão é que, realmente não adianta usar fatores altos como acima de FPS 60 e querer se expor por tempo prolongado, acreditando que nada está acontecendo. FPS acima de 60 acaba gerando esta FALSA sensação de “proteção total” porque, mesmo com exposições prolongadas, a pele não arde e não fica vermelha. Mesmo sem ficar vermelha e/ou ardida, uma pele exposta por muitas horas, sempre vai acumular dano, que não será percebido na hora e nem dias depois, mas, muitos anos depois.

Não adianta querer usar FPS altos e ficar mais tempo exposto, porque isto não funciona, e daí a impressão de alguns que acabam disseminando a informação polêmica de que fatores altos “não servem para nada”. Funcionam sim, desde que com pouco tempo de exposição, algo ao redor de 2 horas ao dia, quando se frequenta uma praia, uma piscina ou praticando atividades em áreas externas, evitando os horários mais críticos (entre 10 e 16 horas) por mais de 30 minutos. Só 2 horas ? Sim, só isto em média. Claro que às vezes pode-se ultrapassar um pouco este período, mas, deve-se evitar ao máximo e repassar o protetor solar. Se a pessoa quer ficar mais tempo, saiba que mais cedo ou mais tarde, aparecerá o prejuízo que demora décadas, mas, sempre chega a partir dos 35 ou 40 anos.

Assim sendo, alguns médicos acham suficiente usar FPS 30 e recomendar que a pessoa procure lugar coberto como um guarda sol ou qualquer outra cobertura, usar bonés ou chapéus e camisetas, na maior parte do tempo. Se quiser usar FPS maiores, tudo bem, mas, não é para ficar exposto mais tempo, porque exposições prolongadas geram sempre danos, qualquer que seja o FPS, mesmo que, a pessoa não fique vermelha ou sinta ardor na pele, como já citado acima. Sempre recordando, quanto mais clara a pele e a cor dos olhos, maior o risco e, portanto, cuidado redobrado.

Lembrar sempre que “estar na moda” e “bronzear-se” hoje para passar uma imagem de “saúde e beleza”, pode produzir um efeito visual que dura uns 15 dias, mas, o prejuízo, fica gravado para sempre e vai acumulando ao longo da vida. É comum ouvir de pacientes com câncer de pele e/ou manchas e envelhecimento da pele, a expressão “mas eu não tomo sol há muitos anos”, sem se lembrar que isto está sendo acumulado desde criança, nas primeiras exposições solares da vida até o dia atual.

A pele parece voltar ao normal quando se é jovem, mas, ela está ficando “carimbada“ à cada exposição e o prejuízo vai acumulando.

E como detectar o câncer de pele precocemente?

É difícil definir um padrão, visto que as lesões podem variar muito, desde manchas vermelhas à manchas escuras e irregulares, passando por feridas que não cicatrizam, até lesões muito maiores e com aspecto exuberante. Quando se nota algo estranho na pele, é preciso consultar o médico e às vezes só uma biópsia poderá levar à conclusão definitiva, apesar de que o exame visual feito pelo médico, geralmente fornece grandes indícios de malignidade ou não, que serão confirmados com o exame anátomo patológico.

É fundamental frisar que boa parte das lesões de câncer de pele não doem, não coçam e não sangram, outra informação dúbia muito difundida. Ou seja, mesmo não sentindo nada disto, a lesão pode ser um câncer. Na dúvida, sempre consulte o dermatologista. nunca passe pomadas ou “queime” lesões sem saber o que são.

Pode-se mascarar o quadro e prejudicar a evolução, o tratamento e o prognóstico. A maioria dos casos de câncer de pele é tratada de forma razoavelmente simples se detectados no começo. No entanto, existem tipos que parecem apenas manchas pequenas e inofensivas, porém, podem até dar metástases, ou seja, se espalhar para outras partes do corpo. Prevenção e detecção precoce são sempre muito importantes.

E as lâmpadas, elas podem realmente provocar danos ou até o câncer de pele?

As lâmpadas antigas incandescentes (redondas e com filamento) e as lâmpadas modernas de LED, não emitem radiação ultravioleta.

As lâmpadas fluorescentes tubulares emitem pouquíssima radiação ultravioleta. Cerca de 8 horas de exposição à estas lâmpadas, correspondem mais ou menos a 1 minuto na rua ao meio dia, ou seja, praticamente insignificante, apesar de alguns comentários exagerados sobre o assunto. As lâmpadas fluorescentes compactas (CFL), também conhecidas como “econômicas”, com o formato de espiral, podem emitir uma quantidade um pouco maior, mas, basta não ficar exposto à curtas distâncias por períodos prolongados.

As lâmpadas com real potencial nocivo são as usadas para “bronzeamento artificial”, com finalidade “estética”, algo que é contra indicado e está proibido por Resolução da ANVISA desde 2009, apesar de continuarmos vendo lugares que continuam oferecendo o serviço.

Alguns tratamentos de pele para doenças como psoríase e vitiligo usam lâmpadas semelhantes e funcionam muito bem em alguns casos. Porém, necessitam de orientação e controle médicos rígidos das doses e tempo de exposição, para se ter o efeito benéfico, com o mínimo de riscos, que são semelhantes aos do “bronzeamento artificial”.

Seguindo estas orientações, é possível se expor ao sol, praticar esportes e atividades externas sem maiores consequências, mantendo uma pele saudável e jovem por mais tempo, conseguindo sintetizar vitamina D em níveis suficientes e sem ficar com medo à toa de lâmpadas artificiais.

Como último alerta, fica a mensagem de que a enorme maioria dos danos provocados pela exposição da pele aos raios ultravioleta do sol são cumulativos e praticamente irreversíveis.

O câncer de pele é o mais comum de todos e o número de casos não para de aumentar. Além disto, apesar das incontáveis promessas de cremes e procedimentos estéticos “anti-idade”, “antirrugas” e “antienvelhecimento”, os resultados reais e práticos são muito limitados.

O melhor “rejuvenescedor”, o mais efetivo e o mais barato de todos, continua sendo a prevenção.

Dr. Olivério de Carvalho Silva Júnior
Médico Oncodermatologista
CRM 59971

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