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Câncer de Bexiga

Epidemiologia

O câncer de bexiga representa a segunda mais comum neoplasia do trato genitourinário no Brasil, inferior apenas ao adenocarcinoma de próstata. De acordo com os dados do ano de 2016, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou 9670 novos casos de câncer de bexiga no Brasil, dos quais 7200 eram representados por homens e 2470 por mulheres.

Em São Paulo, essa incidência chega a 10,6 casos em homens e 4,1 em mulheres para cada 100.000 habitantes. O Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), em 2003, notificou 3642 mortes/ ano, sendo que essa taxa vem se mantendo estável ao longo dos anos.

O risco de câncer de bexiga é maior no idoso, sendo que 90% dos casos ocorrem após os 55 anos de idade. Trata-se do quarto câncer mais comum em homens e acomete cerca de 4 homens para cada mulher. Predomina nas pessoas de raça branca comparada às de raça negra, na proporção de 2:1.

Existem diversos fatores de risco relacionados ao câncer de bexiga, todavia, indiscutivelmente o tabagismo representa o mais significativo, além de estar associado a maiores taxas de recorrência e progressão de doença. Estudos mostram uma prevalência 2 a 4x maior de câncer de bexiga nos fumantes comparado aos não fumantes. Outros fatores de risco associados são exposição ocupacional, principalmente no caso de trabalhadores em indústrias de tinta, borracha e petróleo. Aqueles pacientes que recebem ciclofosfamida em tratamentos quimioterápicos também risco aumentado de desenvolver câncer de bexiga.

Tipos

O principal tipo histológico de câncer de bexiga é o carcinoma urotelial, derivado do revestimento interno da bexiga e responsável por cerca de 90% dos casos. O segundo tipo mais frequente de tumor vesical maligno é o carcinoma escamoso, representando 5% dos casos, sendo relacionado principalmente a infecção ou irritação prolongada. Um outro subtipo, menos frequente, porém não desprezível, é o adenocarcinoma (2% dos casos).

Os tumores vesicais dividem-se em não músculo invasivos (80% dos casos) e músculo invasivos (20% dos casos), sendo este associado a uma maior taxa de disseminação para outros órgãos e um pior prognóstico.

História clínica

O sintoma mais comum dos pacientes com câncer de bexiga é a hematúria macroscópica (sangramento na urina) indolor. Outros sintomas como aumento da frequência urinária e dor à micção também podem estar presentes.

Diagnóstico

O diagnóstico do câncer de bexiga pode ser realizado através de exames de imagem como a ultrassonografia e a tomografia computadorizada de abdome, detectando a grande maioria dos casos. O melhor exame, contudo é a cistoscopia (avalição endoscópica da bexiga com uma câmera), a qual permite analisar com precisão o número de lesões, seu aspecto, localização e tamanho. Além disso, durante este exame existe a possibilidade de realização de biópsia para confirmação do diagnóstico.

Tratamento

O tratamento do câncer de bexiga está relacionado ao grau de invasão do tumor (músculo invasivo x não músculo invasivo) e disseminação da doença. Nos casos dos tumores superficiais, não músculo invasivos, a principal forma de tratamento é a ressecção endoscópica da lesão vesical. Este procedimento tanto permite o diagnóstico definitivo quanto o tratamento da doença.

No caso das lesões vesicais músculo invasivas, a opção terapêutica consiste na realização da cistectomia (retirada completa da bexiga) com reconstrução do trato urinário, geralmente com um segmento de intestino, e linfadenectomia (retirada de gânglios) pélvicos. Quanto a reconstrução do trato urinário, pode ser confeccionada uma “nova bexiga” utilizando-se um desmembramento de segmento intestinal (neo bexiga ortotópica - derivação urinária continente) ou um desvio do trânsito de urina para a pele (conduto ileal - derivação urinária incontinente). A definição do tipo de reconstrução depende da análise de uma série de fatores e deve ser decidida entre médico em conjunto com o paciente e familiares.

Em alguns casos, pode ser necessária a realização de quimioterapia prévia ao procedimento cirúrgico, como uma forma de controle de micrometástases e redução do tamanho tumoral como forma de facilitar a realização do procedimento cirúrgico e diminuir as taxas de comprometimento das margens da peça cirúrgica.

Em doenças avançadas, metastáticas, a quimioterapia é a única opção de tratamento, embora sem oferecer possibilidade de cura.

Outra opção com eficácia inferior ao tratamento cirúrgico é a realização de radioterapia em conjunto com a quimioterapia, contudo trata-se de opção com resultados insatisfatórios com altas taxas de recidiva e devem ser colocadas como opção somente em casos restritos.

O câncer de bexiga é uma doença com alta morbimortalidade e seu tratamento envolve uma equipe multidisciplinar. O tratamento cirúrgico é o padrão ouro do tratamento desta enfermidade, contudo a maior ênfase deve ser dada a sua prevenção. Tendo em vista que trata-se de uma neoplasia fortemente relacionada ao tabagismo, o abandono deste hábito, sem dúvidas, é a melhor opção para conseguirmos realizar o controle de uma doença tão grave que atinge milhares de brasileiros.

Dr. Hamilton de Campos Zampolli
Médico Urologista
CRM 62512

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