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Câncer de Rim

Epidemologia

O tumor renal é a terceira neoplasia urológica mais comum, depois do câncer de próstata e bexiga. Corresponde a cerca de 2 a 3 % de todas as neoplasias malignas em adultos. É duas a três vezes mais frequente em homens, sendo mais prevalente entre os 55 e 70 anos de idade.

O câncer de rim apresenta-se, na maioria da vezes, sob a forma esporádica, mas há casos hereditários, associado a doenças genéticas como a doença de von Hippel-Lindau, a esclerose tuberosa, o carcinoma renal familiar, a síndrome de Birt-Hogg-Dubé, o carcinoma renal papilar hereditário e leiomiomatose familiar. As formas hereditárias acometem geralmente indivíduos mais jovens.

O tabagismo é o principal fator de risco, sendo responsável por cerca de um terço dos casos. Outros fatores comprovadamente relacionados ao câncer de rim são a obesidade e hipertensão arterial sistêmica. Em pacientes com insuficiência renal crônica, em tratamento dialítico, bem como portadores de doença renal multicística adquirida, o risco de desenvolver o câncer renal eleva-se de 3 a 6 vezes. O Diabetes mellitus, dieta rica em gordura animal e consumo crônico de certos analgésicos tem sido considerados fatores de risco para tumores renais, porém a literatura médica carece de estudos que confirmem esta relação.

Tipos

A maioria dos tumores renais é composta pelo carcinoma de células renais (CCR), correspondendo a 90% dos casos. Destes, o mais comum é o carcinoma renal de células claras, seguido pelos subtipos papilífero e cromófobo, respectivamente.

Sintomas

Devido a disseminação da utilização mais frequente de exames de imagem abdominal como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, a maioria dos tumores renais diagnosticados atualmente ocorre de forma incidental, sem que o paciente apresente qualquer sintoma (67%). São em geral tumores pequenos e de bom prognóstico. Doenças de maior volume podem apresentar sintomas como sangue na urina, dor na região lombar ou tumoração palpável na região abdominal ou nos flancos. Tumores avançados podem estar associados a sintomas menos específicos como emagrecimento, febre, hipertensão e perda de apetite.

Diagnóstico

Em geral, o primeiro exame a suspeitar do tumor renal é a ultrassonografia abdominal. Frente a este resultado, deve-se estabelecer o diagnóstico, que é fundamentado nas características da lesão à tomografia computadorizada. Esta também é útil para o estadiamento da doença. A ressonância nuclear magnética é utilizada em casos específicos, como alergia ao contraste iodado, durante a gestação ou para avaliação de trombo neoplásico no sistema venoso. Na maioria das vezes, não é necessária nenhuma biópsia da lesão, uma vez que a tomografia e ressonância magnética possuem elevada acurácia diagnóstica.

Tratamento

O câncer de rim é o mais letal dentre os tumores urológicos. Não responde a quimioterapia convencional, nem mesmo a radioterapia. A cirurgia continua sendo o único tratamento curativo para o câncer renal localizado, diagnosticado precocemente. Esta pode ser nefrectomia radical (retirada de todo rim) ou nefrectomia parcial (retirada da parte do rim afetada pelo tumor) a depender da extensão e localização do tumor. A abordagem cirúrgica pode ser realizada por cirurgia tradicional aberta, por laparoscopia ou laparoscopia assistida por robô. Casos considerados excepcionais e criteriosamente selecionados podem ser tratados com terapia ablativa (crioablação e radiofrequência), e até mesmo submetidos a uma monitorização ativa e periódica, especialmente em idosos extremos ou em pacientes com outras comorbidades de gravidade, com comprometimento clínico significativo e baixa expectativa de vida.

Pacientes com doença avançada, metástatica, podem ser tratados com terapia imunológica ou através do uso de drogas inibidoras da angiogênese (terapia alvo-molecular), que diminuem a formação de vasos sanguíneos que nutrem o tumor. Estas medicações, associadas ou não a cirurgia, podem controlar a doença, fornecer uma melhor qualidade de vida e um ganho significativo na sobrevida destes pacientes, embora, infelizmente, não possam oferecer a possibilidade de cura.

Prevenção

Hábitos de vida saudável, com uma dieta equilibrada, atividade física regular, controle do pêso e principalmente não fumar são fundamentais para uma vida longa e saudável. Exames periódicos, embora não possam evitar o câncer, colaboram para um diagnóstico precoce da doença, no momento em que o tratamento pode oferecer taxas de cura acima de 90%, sem comprometimento da qualidade de vida.

A conscientização é a melhor arma contra o câncer.

Dr. Hamilton de Campos Zampolli
Médico Urologista
CRM 62512

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